— É apenas uma membrana...
— Não! É mais do que isso! É um símbolo de decência...
Samanta estava jogada sobre umas caixas. Literalmente jogada, ela e o seu olhar parado. Valeria a pena?
— As mulheres decentes precisam ter...
Olhar parado.
— As que perdem ficam estigmatizadas e não conseguem mais casar com um homem trabalhador.
Caixa de papelão.
— Que papelão, Samanta! Não envergonhe sua mãe!
Samanta decidiu perder a membrana.
Numa mão uma navalha. Na outra, um espelho.
Ela se mirou no espelho.
Lágrimas de dor quando a navalha começou a rasgar a membrana que havia em sua boca desde que nascera.
O sangue escorreu abundantemente da boca de Samanta. Mas ela trincou os dentes e sorriu. Enrolou-se em seu manto negro e saiu pelas ruas estreitas.
Os homens ficaram mudos diante de sua boca horrivelmente ferida, mas agora desimpedida para falar o que quiser.
E desde então não parou mais de opinar.
FIM